O que é a Medicina do Rapé?

O Rapé faz parte de plantas utilizadas de modo muito especial pelas comunidades indígenas da amazônia. 

O Rapé é uma substância à base de tabaco seco, moído, pilado e posteriormente misturado de forma elaborada e ritualizada, com cinzas de árvores, que possui propriedades medicinais.

O Rapé pode ser usado como um veículo de acesso a outras regiões do cosmos e seus habitantes, de onde os pajés adquirem novos conhecimentos, travam diálogos, trazem cantos, notícias e presságios.

Ele também pode ser utilizado em praticamente todos os momentos do dia, para manter as pessoas ativas e bem dispostas, anulando a indolência e a passividade, dando vigor e resistência aos homens nas caçadas e pescarias, na abertura de roças, no transporte de mandioca e outras atividades, nos momentos de atividade física intensa, inclusive em situações de mal-estar e dor. Trata-se de um tipo de remédio para encerrar dias de trabalho sob o sol. A substância é capaz de regular a pressão arterial, funcionando como um forte aliado para evitar o choque térmico entre o sol quente e a água fria dos rios, em que os índios se banham. 

Ao entardecer sempre se formam rodas de rapé, para as conversas sobre as atividades do dia, assuntos importantes ou para contar as antigas histórias.  

O rapé aparece ainda como uma espécie de inversor de comportamentos, transformando raiva em calma, conflito em harmonia ou inimigos em amigos.

O rapé é uma das substâncias usadas na medicina indígena, que é capaz de trazer paz, energia, espantar a preguiça e ainda auxiliar na concentração e foco daqueles que o utilizam. 

Antigamente, o rapé era utilizado somente para fins xamânicos, em sua prática de cura.  Hoje é abundantemente “tomado”, sendo tal vulgarização, desde o tratamento para gripe, dor de cabeça e insônia até como “calmante”, antes do banho para relaxar ou ainda em uma roda de amigos.   O rapé é utilizado pelas tribos indígenas de forma regrada e sem fins recreativos. 

 

Fonte: 

Rapé e xamanismo entre grupos indígenas no médio Purus, Amazônia por Gilton Mendes dos Santos e Guilherme Henriques Soares

MERGULHO NO SER: corpo e memória em cerimônias indígenas com Huni por Camila Silva Ribeiro

 

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