CONDIÇÃO CARDIOVASCULAR GRAVE

Sistema cardiovascular

WIKIPEDIA

A ayahuasca altera parâmetros cardiovasculares, podendo trazer efeitos nocivos para pessoas com problemas cardíacos graves. Para pessoas em bom estado de saúde cardíaca, entretanto, a bebida não oferece riscos significativos imediatos comprovados. A imprensa brasileira relatou, por exemplo, o caso de um jovem que tinha Síndrome de Marfan, doença que provoca alterações cardiológicas e vasculares graves, e morreu após ter ingerido a bebida.
Ainda são necessários estudos para determinar se a ayahuasca pode causar valvopatia a longo prazo. Esta suspeita existe porque a N,N-DMT apresentou alta afinidade pelos receptores 5-HT2B em ensaios in vitro, com valores de 0,108µM e 0,184µM, e por existirem estudos demonstrando uma ligação de causa-efeito entre o uso frequente ou crônico de drogas serotoninérgicas com alta afinidade por receptores 5-HT2B e o desenvolvimento de valvopatia no organismo. Também é problemática a ativação de receptores 5-HT2A tanto pela N,N-DMT quanto pelas β-carbolinas presentes na bebida, visto que causa um aumento na pressão sanguínea via vasopressina.


 

Ayahuasca: uma revisão dos aspectos farmacológicos e toxicológicos

Rev Ciênc Farm Básica Apl., 2010;31(1):15-23

A DMT aumenta rapidamente os batimentos cardíacos, bem como a pressão sistólica e diastólica. Estudos com administração oral de β-carbolinas juntamente com DMT, induziram a um aumento dos picos dos batimentos cardíacos e pressão arterial cerca de um terço a mais que quando a DMT é administrada isoladamente após 90 e 120 minutos. Como dito anteriormente, as β-carbolinas contribuem para o aumento da quantidade de serotonina na fenda sináptica. O acúmulo excessivo pode produzir uma série de efeitos adversos, tais como tremor, diarréia, instabilidade autonômica,  hipertermia, sudorese, espasmos musculares e possivelmente morte. Esse conjunto de sinais e sintomas é conhecido como síndrome serotoninérgica. Efeitos colaterais como desconforto físico ou dor crônica podem ser exacerbados pela ayahuasca (Callaway et al., 1999; Gable, 2007).
De fato, somente um caso de intoxicação fatal foi registrado depois de suposta ingestão da ayahuasca por um homem branco de 25 anos de idade. Análises macro e microscópicas não foram conclusivas, revelando somente congestão e edema tecidual. A análise toxicológica revelou as seguintes concentrações sanguíneas na vítima: DMT (0,02 mg/L); 5-metoxi-N,N-dimetiltriptamina (1,88 mg/L); THH (0,38 mg/L); HRL (0,07 mg/L) e HRM (0,17 mg/L). A causa da morte apontada pelo médico legista foi intoxicação alucinógena por aminas (Sklerov et al., 2005). Em contrapartida, essa publicação foi contestada por Callaway et al. (2006), que relata que nenhuma mistura de plantas, tradicionalmente usadas em cultos de tribos indígenas concentraria quantidade suficiente de 5-metoxi-N,Ndimetiltriptamina para levar a óbito um ser humano. Aventa a hipótese de que a pessoa em questão poderia ter ingerido além do chá, a substância sintética, o que poderia justificar as altas concentrações encontradas no sangue do jovem. Outra possibilidade seria a de se ter confundido a DMT que é o componente usual da ayahuasca com o seu análogo 5-metoxiN,N-dimetiltriptamina que possui um potencial tóxico muito mais relevante e significativo.


 

OUTRAS REFERENCIAS SOBRE A TOXOLOGIA
Ayahuasca: uma abordagem toxicológica do uso ritualístico.
Rev. psiquiatr. clín. [online]. 2005, vol.32, n.6, pp. 310-318.

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